O cliente marca a porta, não o bairro
Fim de tarde na Bolos da Nena. Chega um pedido de bolo de cenoura com brigadeiro para a Vila Nova. Pela tabela antiga, Vila Nova é R$ 10,00. Só que esse cliente mora na última rua do bairro, quase saindo da cidade, e o motoboy vai rodar o dobro do que roda para a cliente da primeira quadra, que pagou os mesmos R$ 10,00 ontem. Na mesma semana, alguém do outro lado do rio pagou a taxa do bairro vizinho, porque no mapa parecia perto. Para chegar lá, o entregador teve de dar a volta até a ponte.
Quem faz entrega conhece essa conta torta. A tabela por bairro foi feita num dia qualquer, com os bairros que a gente lembrava, e envelhece. Bairro tem nome escrito de três jeitos, CEP que cai no lugar errado, rua que divide dois bairros no meio.
Com a entrega por distância, a pergunta deixa de ser “qual é o seu bairro?” e passa a ser “onde fica a sua porta?”. No checkout, a loja abre um mapa já na região do endereço que o cliente digitou, com a instrução “Arraste o mapa até o pino ficar na sua porta e confirme.” Dá para usar a localização do celular, aproximar, afastar e mover com as setas do teclado. Quando o cliente toca em Confirmar local, a Venduá calcula o caminho de carro da loja até aquele ponto e mostra a distância e a taxa ali mesmo, antes do pagamento. Se ele marcar “Lembrar meus dados”, o pino fica guardado e o próximo pedido nem pergunta de novo.
Por que pedir para o cliente confirmar no mapa, em vez de achar tudo pelo endereço? Porque os serviços abertos de endereço ainda erram muito número de casa no Brasil. O endereço digitado serve para abrir o mapa no lugar certo. Quem sabe onde fica a porta é quem mora nela.
A conta, quilômetro por quilômetro
A regra cabe numa linha: taxa de saída mais um valor por quilômetro começado, nunca abaixo da taxa mínima. Se a sacola passa do valor que você escolheu, a entrega fica por conta da loja. Se a porta fica mais longe que o seu limite, a loja não entrega ali. Mexa no simulador abaixo: ele faz exatamente essa conta, com os mesmos arredondamentos.
Até onde o caminho de carro chega dentro do limite. Círculos: a distância em linha reta.
Bia, a três quadras 2,3 km pelo caminho
- Taxa de saída
- R$ 4,00
- 3 km começados × R$ 1,50
- R$ 4,50
- Taxa mínima de R$ 8,00 a conta já passou
- ok
- Sacola de R$ 54,50 faltam R$ 65,50 para a loja pagar a entrega
- —
Entrega R$ 8,50
Repare no “km começado”. Rodou 2,3 km? Contam 3. Cada quilômetro que o entregador começa a rodar entra inteiro na conta, do mesmo jeito que você pensaria se fizesse a conta de cabeça. E tem um cuidado a mais: a distância aparece para o cliente com uma casa decimal, e é essa mesma distância que entra na conta. Um caminho de 3,04 km aparece como 3,0 km e paga 3 km. Nunca acontece de a tela dizer “3,0 km” e a taxa cobrar um quarto quilômetro que o cliente não viu.
Na porta da Rita, do outro lado do rio, o simulador mostra o outro lado da regra. Em linha reta ela fica a 4,4 km da Nena, mas o caminho passa pela ponte e dá 9,8 km. Com o limite em 8 km, a loja não entrega lá, e o cliente lê no mapa “Esse local fica fora da área de entrega.” antes de pagar qualquer coisa. Ninguém descobre depois, no WhatsApp, que a entrega não sai.
Cinco números e uma escada
No app da loja, em Loja › Entrega, o cartão “Cobrar pela distância” tem cinco campos. Cada um responde a uma pergunta que você já se faz quando monta a taxa:
- Taxa de saída. Cobrada em toda entrega. É o custo de o entregador sair da loja, por perto que seja.
- Por km. O valor de cada quilômetro começado no caminho de carro.
- Taxa mínima. Nenhuma entrega sai por menos que isso. Serve para a entrega da esquina não sair barata demais. É opcional.
- O valor a partir do qual a loja paga a entrega. Pedidos desse valor para cima não pagam taxa. A conta usa a sacola antes de qualquer cupom. Também é opcional.
- Entrega até. A distância máxima pelo caminho. Mais longe que isso, a loja não entrega. Vem em 8 km, e você ajusta de 1 a 50 km.
Juntos, eles desenham uma escada. A taxa começa num patamar (a mínima), sobe um degrau a cada quilômetro começado e para num corte, onde a loja deixa de entregar. O gráfico abaixo usa os valores do simulador: mexa nos controles lá em cima e a escada muda aqui.
Abaixo do cartão, o app escreve a sua regra numa frase, para conferir de relance: a taxa de saída, quanto por km, a mínima, até quantos km e a partir de quanto a loja paga a entrega. Se a frase não parece com o que você cobraria no balcão, é só mexer nos números. Toda taxa é calculada pela Venduá, no servidor, com a mesma regra para a vitrine, para o checkout e para o pedido que chega no seu celular.
Pelo caminho de carro, não em linha reta
Já existia na Venduá a entrega por raio: círculos em volta da loja, cada um com a sua taxa. O problema é que círculo mede em linha reta, e moto não voa. Com um rio, uma lagoa ou uma rodovia no meio, o caminho pode ter o dobro da distância do círculo, e a loja cobra o preço curto.
Por isso a entrega por distância mede o caminho de carro, rua por rua, da loja até a porta. No simulador lá em cima, os círculos tracejados são a linha reta e a mancha clara é onde o caminho chega dentro do limite. Do lado da loja, a mancha vira um losango, porque o carro anda pelas ruas. Do outro lado do rio, ela encolhe e se apoia na ponte. Ela não é um círculo.
Compare, na mesma vizinhança, a tabela por bairro com a conta por distância:
| Porta | Por bairro | Por distância |
|---|---|---|
| Duda começo da Vila Nova | R$ 10,00 tabela da Vila Nova | R$ 8,50 2,9 km pelo caminho |
| Caio fim da Vila Nova | R$ 10,00 tabela da Vila Nova | R$ 14,50 6,6 km pelo caminho |
| Rita Beira-Rio, do outro lado | R$ 9,00 tabela da Beira-Rio | fora da área 9,8 km pelo caminho |
A Duda, no começo da Vila Nova, pagava mais do que a conta pela distância dá. O Caio, no fim do mesmo bairro, pagava menos. E a Rita recebia por R$ 9,00 uma entrega de quase 10 km. Com a distância, cada um paga pela própria viagem, e a lista de bairros some da sua rotina.
Quando a rota não vem
O caminho de carro vem de um serviço de rotas aberto, de fora da Venduá. Como todo serviço de fora, às vezes ele não responde. Para isso existe um plano B, e ele nunca segura o checkout: quando não dá para ter a rota na hora, a Venduá mede a linha reta da loja até a porta e soma 30%, porque rua nunca é reta. Essa distância vai marcada como estimativa. Para o cliente, ela aparece como “cerca de 5,8 km”, e o pedido guarda que a taxa veio de uma estimativa, não de uma rota.
Bia a três quadras
linha reta 1,6 km × 1,3 = 2,1 km caminho 2,3 km
Cobra 2,3 km: R$ 8,50
Caio do outro lado do bairro
linha reta 4,7 km × 1,3 = 6,1 km caminho 6,6 km
Cobra 6,6 km: R$ 14,50
Rita do outro lado do rio
linha reta 4,4 km × 1,3 = 5,8 km caminho 9,8 km
9,8 km passa dos 8 km: fora da área
A estimativa chega perto onde as ruas vão mais ou menos direto e fica longe da verdade onde há um rio no meio. Por isso ela é o plano B, não a regra. Sem rota, o tempo de entrega também é estimado: o tempo de preparo da loja mais o trajeto a 25 km/h, que é um ritmo de moto na cidade. Quando um pedido de rota falha, a Venduá espera um minuto antes de tentar de novo e, nesse meio-tempo, segue com a estimativa. Um caminho já calculado fica guardado por 30 dias, então a mesma porta não precisa perguntar de novo.
O mapa do checkout também foi feito pela Venduá: umas 300 linhas, sem biblioteca de mapas. Um mapa pronto, dos que desenham tudo em vetor, acrescentaria uns 220 KB à página e dependeria da parte gráfica do celular. O checkout precisa abrir leve em qualquer aparelho.
O cliente paga o que viu
Uma taxa que muda entre a tela e o pagamento é a pior experiência de checkout que existe. Por isso a Venduá calcula o caminho uma vez, quando o cliente confirma a porta, e guarda essa distância na sacola. Na hora de fechar o pedido, ela usa o que está guardado, mesmo que o serviço de rotas esteja fora do ar ou fosse responder outra coisa naquele minuto. A distância que o cliente viu é a distância cobrada.
O resto do checkout continua igual. O pedido mínimo vale, o cupom que zera a entrega vale e o valor a partir do qual a loja paga a entrega também. E cada pedido guarda se a taxa veio de uma rota ou de uma estimativa.
No WhatsApp é a mesma regra. O Duá, o vendedor com IA no WhatsApp da loja, sabe que a sua entrega é pela distância e até quantos quilômetros. Quando só o bairro não basta, ele pede para o cliente mandar a localização pelo próprio WhatsApp e calcula a taxa a partir daquele ponto, antes de dizer que não entrega.
E quem ficou de fora vira informação. Em Relatórios, o quadro “Entrega por área” mostra quantas pessoas consultaram o frete e quantas dessas consultas viraram pedido. Quando alguém pede entrega onde você não chega, a consulta entra em “Onde pediram e você não entrega”, contada pelo bairro que o cliente digitou. Se o mesmo bairro aparece toda semana, talvez seja a hora de subir o seu limite de quilômetros.
Como ligar na sua loja
A entrega por distância vem desligada, e nada muda na sua loja até você ligar. Para ligar, abra o app em Loja › Entrega:
- Marque a loja no mapa. Toque em “pelo endereço” para o mapa achar a sua rua e em “marcar loja” para tocar no ponto exato. É desse pino que a distância é medida, e sem ele a opção nem liga.
- Ligue “Cobrar pela distância”. O cliente passa a confirmar no mapa onde entregar.
- Preencha os valores. Taxa de saída, valor por km e a distância máxima. A mínima e o valor a partir do qual a loja paga a entrega são opcionais.
- Confira as áreas de reserva. Suas áreas por bairro, raio ou desenho no mapa não são apagadas: cada uma continua com a sua taxa, o seu tempo, o seu pedido mínimo e o seu valor para a loja pagar a entrega. Elas passam a valer só para o endereço que chega sem o local no mapa.
Uma dica para começar: pegue três pedidos de entrega da semana passada, um perto, um médio e um longe, e veja quanto cada um pagaria com os seus números. Se a entrega da esquina ficou barata demais, suba a mínima. Se a mais longe não cobre a gasolina, suba o valor por km. Pronto: a sua tabela de bairros vira uma regra que acompanha a rua.
